terça-feira, 27 de junho de 2017

Sobre a "Perfeição"

Vivemos num mundo completamente viciado no conceito volúvel e ambíguo de perfeição.
A nossa sociedade venera a perfeição. 
Tudo tem de ser simplesmente perfeito e as falhas são intoleráveis!

Talvez potenciado pelas redes sociais, todos nós queremos exibir algo flawless. Mostrar o quão perfeitos nós somos. 

Se não é a busca incansável do corpo perfeito, é o consumo excessivo de marcas de prestígio para mostrar que não só podemos pagá-las (nem que seja hipotecando um rim) como temos sentido estético. "É o design, a qualidade"
Se não são as viagens perfeitas, são fotografias perfeitas de pratos de comida. Para mostrar que temos gostos refinados. 
Se não são as fotografias dos ajuntamentos perfeitos de grupos de amigos, são as selfies perfeitas. 

Queremos sempre marcar o momento com o carimbo (stamp) de "perfeito" com uma fotografia.  
Para isso, tiramos 30 fotos iguais, aplicamos os filtros certos e voilá: atingimos a perfeição, podemos postar. 
Sim, porque se não postarmos uma fotografia nas redes sociais, as coisas não são reais... e isto é outro assunto...

Todos nós queremos mostrar o quão perfeitos somos, o quão perfeita é a nossa vida. Mas mais pura das verdades é esta: NINGUÉM é perfeito!

Falando contra mim mesma:
Muita das vezes sinto-me como se fosse uma bipolar. 
Umas vezes quero fugir desses  conceitos mas outras vezes dou por mim a querer ter tudo perfeito para exibir no Instagram. Sim, porque quanto mais perfeita for a foto, mais likes vou obter...

Mas e se falhares? Se falhares, desces de "categoria"... Eras perfeito, falhaste, tens de ser crucificado!

Exemplos concretos?
- Se um empregado que sempre fez tudo bem, é bom profissional comete o erro de, por lapso, expor uma informação que é confidencial o que acontece a esse empregado?
- Se um deputado é apanhado no meio de algum escândalo, o que acontece com esse deputado para preservar todo o partido político?
- Se um líder na Igreja, independentemente da sua área de acção, comete uma falha, o que acontece com esse líder??

E no meio desta cultura do perfeito, do estético e do prazeroso e que simplesmente não tolera os erros, que não exerce misericórdia para com os que falham, como é que eu ajo?
Como é que nós agimos?

Eu quero mesmo aprender com Jesus.
Quero aprender a ser misericordiosa e a ser humilde o suficiente para cuidar da minha boca.
Porque os erros dos outros têm a mesma gravidade dos meus!
Só mudamos a incidência do erro!

Que Deus me ajude...

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