segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Evangelho e Cultura #5 - O desabafo de quem quer viver livre!

Romanos 12:1-2
"Portanto, caros irmãos, rogo-vos pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto espiritual.
E não vos amoldeis ao sistema deste mundo, mas sede transformados pela renovação das vossas mentes, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus."
        (Versão King James Atualizada)

Hoje tive uma conversa muito boa com um grande amigo de longa data, o Manuel Rainho.
O Manuel é espetacular!!!! (Bem que tenho de fazer um post sobre ele para incluir na secção dos amigos)

Falámos sobre muitas coisas, claro, mas há algumas que tenho de refletir mais. Principalmente sobre este assunto de Evangelho e Cultura.

Hoje falávamos sobre a forma como nós vemos as coisas e elas nos afetam. A nível mesmo da lógica, construção do pensamento e, inerente, perceção da realidade.

Partilhei com ele sobre a forma como hoje as mulheres encaram a gravidez e as lides domésticas de uma forma muito estranha.

Vejo que hoje, as grávidas não vivem a gravidez de uma forma natural e as pessoas não sabem viver bem com a vida a dois! (Eu estou a falar daquilo tem sido a regra. Existem exceções, graças a Deus por isso!)
É tudo um desconforto, dá sempre muito trabalho.

Porquê disto?

A maior parte da mulheres casadas diz-me assim:
"Isabel/ Bélinha/ Filha, aproveita beeem enquanto estás solteira para viver as coisas agora, porque depois... É só limpar, cozinhar, limpar, cozinhar. E depois tens de trabalhar, chegas morta e ainda tens de cozinhar e limpar" (Eu já tenho consciência que a minha vai mudar, mas esse tom de urgência é sufocante... parece que o casamento e os filhos sugam-te a vida... na expressão dos falantes em inglês "they suck the life out of  you")

Das grávidas (e ex-grávidas) que acompanhei e ainda acompanho, quando recebem a notícia há aquele momento de "wow, estou grávida" mas depois só pensam nos problemas.
"Ai, ai vou ter dores no parto/ Ai, ai dar de mamar é só dores/ Ai, ai que a roupa não me serve/ Ai, ai que isto é um arrombo no orçamento/ Ai, ai a minha vida que estou grávida"

E isso é bué da estranho...
Passam-me uma imagem muito monótona, aprisionadora (nem sei se essa palavra faz sentido ou existe mesmo) e castradora destes processos que são naturais à vida do ser humano!

Nós crescemos e com o crescimento (e consequentes fases da vida) vêm o seu peso e as suas lutas. Mas faz parte!

Às vezes penso que a nossa geração é muito mais frágil a nível fisiológico porque estamos cada vez mais sedentários, os alimentos são cada vez mais processados ou cheios de químicos, ingerimos muitos medicamentos (o que por um lado é bom - resolve o problema da doença - por outro lado mau - deixam imensos resíduos no organismo).

Hoje nós vivemos debaixo de uma escravidão e opressão terríveis.
Sim, nós, Homens do século XXI e eternos proclamadores da liberdade!!

As grávidas estão super amedrontadas. Têm demasiados medos, reclamam, procuram cursos e recursos variados para lidar com uma coisa que é natural.
E, falando na perspetiva de quem nunca esteve grávida, acho que é um exagero!

Acho que as grávidas desfrutam pouco desse estado de graça porque estão acorrentadas aos seus medos e inseguranças, ou pior, deixam-se acorrentar pelos medos e inseguranças de outros.
Qual é o problema em ter dor e desconforto se isto é intrinsecamente ligado à decisão de ser esposa e mãe?
(E aqui não refiro as grávidas que efetivamente têm problemas sérios na gravidez. Estou a falar de grávidas perfeitamente normais e com bebés a crescer dentro de si em perfeita saúde)

Falava com o Manuel sobre o exemplo da minha mãe.
Ela foi mãe de três - tudo parto natural - e casada com um homem africano (por acaso o meu pai ajudava imenso a minha mãe até eu saber fazer as coisas em casa...).
Não me lembro de ver a minha mãe a reclamar muito ou a dizer que nós somos um peso e que está saturada (nem ipsis verbis nem de forma subentendida).
Pude acompanhar a gravidez dos meus irmãos, principalmente da minha irmã mais nova, e nunca vi a minha mãe com grandes cenas e a reclamar por tudo e por nada.
Ela trabalhou durante todo o tempo de gravidez do meu mano (e não tinha um emprego nada fácil), na minha irmã ele teve de ir de baixa aos 8 meses porque esticou-se e a mana ficou "cansada".

Quando converso com a mami sobre ser dona-de-casa e sobre a gravidez ela nunca fez um grande deal. São coisas normais, faz parte, diz ela.
É mesmo tranquilizante a forma natural e simples que ela encara as coisas. É libertador!

Enquanto dona-de-casa, dá-nos na cabeça por alguma coisa estar fora do sítio sem necessidade disso, por ninguém querer ou saltitar de felicidade por acordar cedo ao sábado e ir com ela ao mercado comprar fruta e legumes; ou por estarmos refastelados em frente ao sofá enquanto podíamos ter tratado das lides antes dela chegar e ter de dizer "vai lavar a loiça".

Segundo ela, eu fui a filha mais complicadinha, mas talvez por ser a primeira (isto nas palavras dela) e o parto mais complicado foi o da minha irmã. De resto, tudo tranquilo.
Ela tinha todos os cuidados que uma grávida tem de ter em relação à alimentação, mas nunca ouviu falar da toxoplasmose, por exemplo.
Os partos dela foram a sangue frio. Sofreu as dores e não levou epidural nenhuma.
Inchou tudo o que tinha para inchar, não tinha roupa que lhe servisse, deu de mamar a todos e perdeu noites de sono.
E ela encarou e encara a gravidez como algo muito natural. Tão natural que ainda considera a hipótese de voltar a ser mãe, aos 44 anos. (O que faria de mim irmã mais velha com 24/25 anos de diferença... wow)

Não percebo como é que de uma coisa natural, para a qual o corpo da mulher está naturalmente preparado fazemos este alarido todo!

E o Manuel dizia-me que a nossa sociedade pós-moderna é uma sociedade que está a formatar as pessoas a não se conformarem com o facto de termos dor, desconforto e não termos o controlo sobre todas as coisas.
É por isso que nós lidamos assim com as coisas, por isso é que transformamos o natural em anti-natura e o anti-natura em algo natural.
É tudo fruto da forma como a sociedade nos molda para vermos as coisas e transformarmos as circustâncias em realidade absoluta.
E a boa notícia do Evangelho é que Jesus veio restaurar a liberdade!
A liberdade de olhar para o que a sociedade me está a dizer, olhar para o que as minhas circunstâncias e meio envolvente me estão a dizer, olhar para que o Evangelho e fazer uma escolha. A partir de desses dados decidir como quero viver.
Se é nesta liberdade que parece "estranha e inadequada" mas que no fim de contas é a que traz a verdadeira liberdade ou aprisionar-me à "liberdade" do medo.

E é verdade!
Nós queremos sempre controlar tudo. Mesmo os que não têm uma personalidade de "control freak"!
Não aguentamos a dor e situações de desconforto nem pensar!!
Arranjamos sempre analgésicos para as coisas ou então cuidados paliativos.
Evadi-mo-nos, arranjamos subterfúgios e "vivemos" assim mais um dia com menos uma dor ou desconforto

Quando é a dor que, também, nos ensina as lições preciosas que carregamos no coração.

Eu não sou casada, não sou mãe mas já tenho tantos preconceitos e medos que é assustador...

Por isso percebo que tenho de renovar a minha mente para que eu possa experimentar qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus também nestas áreas da minha vida. E ser livre!

Sem comentários:

Enviar um comentário

Expressar? É em baixo