sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A Belinha em Missão ou Refugiados #17

Sorrisos que nascem
Trabalhar no Centro de Refugiados foi uma experiência muito, muito marcante!
Pude reflectir sobre as coisas com mais profundidade porque tudo deixou de estar longe. As histórias deixaram de ser simplesmente histórias e passaram a ter um rosto, um nome, uma identidade.

Trabalhava três dias por semana no centro e a minha tarefa principal era a de estar disponível para amar e cuidar.
Estivemos a promover actividades de verão para os miúdos que não tinham nada que fazer durante o (longo) mês de Agosto.

Funcionávamos em estilo de CAF/ ATL. 
Tínhamos tempo para fazer trabalhos manuais, contávamos uma história bíblica e depois fazíamos jogos/ brincadeiras. E nisto queríamos transmitir o amor de Deus e Seu grande cuidado por aqueles que criou.
Arte e confusão. A delícia dos miúdos
Jogo das cadeiras, O Panda e os Caricas...
Animação não faltou!
A ideia era de a cada semana abordar-mos um tema e usarmos uma história como referência mas acabámos por focar-nos na criação e na história do José do Egipto (um menino que foi vendido como escravo pelos seus irmãos e passou a ser também um refugiado - alguém que saiu do seu país fora da sua própria vontade).

No final, pudemos entender que, de alguma forma que nós não sabemos, Deus queria trabalhar na vida deles através da repetição das histórias.
Ensinámos que Deus criou todas as coisas que existem, que Ele criou os céus e a terra e todas as pessoas. Deus fez homem e mulher parecidos com Ele e no fim Deus disse que "era muito bom". Somos muito bons e profundamente amados.
"Story Time"

Fazer bolachas é giro!


À medida que também ia convivendo no Centro, ia compreendendo um bocadinho da cultura árabe.
Para os miúdos ficarem connosco, os pais (ou homem da família) tinha de autorizar. Ou seja, tínhamos de estabelecer uma relação de confiança com eles para que pudéssemos ter acesso aos miúdos e o processo continua para que possamos chegar às mulheres.
Para que o vínculo não fosse quebrado já, fizemos a apresentação de Deus, um Deus de amor e de misericórdia mas não falámos de Jesus...

Outra coisa que nos deixa perplexos é número de divórcios que se dão entre os árabes que estão no Ocidente. E porquê?
Porque as mulheres descobrem que têm direitos. Que aqui elas podem trabalhar, têm direitos, têm voz... Então elas vão-se embora.

Outra curiosidade sobre refugiados:
Muitos deles, vêm para cá porque são cristãos e estão a fugir à perseguição!
Já acolhemos mais de 20 famílias que vêm nessa condição.
Uma história que me marcou muito foi a de uma mãe que veio com os filhos num bote porque o seu esposo foi morto porque não quis negar a sua fé em Jesus Cristo!
Ela conta que no seu país de origem, eles reúnem-se às escondidas e o tempo de louvor e adoração que eles têm é mental. Alguém sugere um hino e eles cantam-no mentalmente, porque se fizerem algum tipo ruído são descobertos e, consequentemente, mortos.
Depois de "cantar" e adorar a Deus, eles compartilham aquilo que do Senhor receberam e não são poucas as vezes que entendem o mesmo recado... e dessa forma eles são fortalecidos na sua fé e encorajados a perseverar.
É tempo de despertarmos do sono...

Um dos miúdos que estava comigo no centro não tinha o seu "baba", pai, porque quando estavam a fazer a travessia, no bote, o pai escorregou do bote e morreu afogado. E eles viram tudo mas tiveram de prosseguir viagem.
Outros chegam à Grécia e são recebidos com cadáveres que bóiam pela costa...

Vim descobrir que sou muito mais afortunada do que me lembrava. Que há gente a sofrer horrores...
Tive de aprender a lidar com as histórias. Ser forte para ouvir e continuar a trabalhar com eles. 
Mas as crianças são crianças em todo o lado. São tão dóceis e têm uma resiliência que me impressiona.

A parte gira era levá-los a brincar no parque. Vê-los a correr todos felizes e serem crianças.
A coisa mais importante no meio disto, foi ver sorrisos desabrocharem e o construir frases em português!

Uma voluntária, ofereceu aos miúdos uma manhã no Bouce Portugal. E a ideia era exactamente essa: Saltar!
Ela cuidou de toda a logística e os miúdos tiveram uma manhã fantástica. Uns até adormeceram pelo caminho...
O Ali, um pai, ofereceu o almoço a todos.


Foi um mês muito bonito.
Foi uma alegria muito grande.

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