Hoje (tecnicamente ontem) é o dia de "Thanksgiving" ou "Dia de acção de graças" e nós decidimos comemorá-lo lá na nossa instituição!
Nós nos temos posicionado contra o dia de haloween, achamos que é uma aculturação que faz pouco sentido para nós (sociedade portuguesa) e também não nos faz sentido como instituição celebrar bruxas, monstros, fantasmas, mortos etc...
Já que estamos a aculturar, lá na instituição decidimos aculturar o dia de acção de graças.
O dia em que intencionalmente somos agradecidos, que paramos para pensar nas coisas boas que temos tido e agradecemos. Agradecemos, pedimos perdão e por favor.
Esta é a tradição que queremos iniciar por estas bandas, a cultura do "obrigado(a) pelo que já tenho".
É tão importante ser agradecido pelo que já temos, olhar para as coisas/situações e perceber que há tanto por agradecer!
Agradecer porque temos vida. Temos saúde. Temos casa (por mais simples que ela seja). Temos família (por mais "louca" que ela seja). Temos um lugar onde somos amados e aceites tal como somos.
Só a pensar nessas coisas já temos uma mão cheia de coisas pelas quais devemos ser gratos!
A Fátima desafiou-me a preparar este lanche e eu quis mesmo fazer uma coisa bonita e especial.
Queria, primeiramente, fazer um lanche bonito para um convidado muito especial. Aquele a quem toda a minha gratidão vai, então esforcei-me...
E este foi o resultado daquilo que podíamos fazer com os recursos disponíveis:
Esta era a decoração da sala em que lanchamos com os nossos utentes e mães-utentes.
Para o lanche fizemos: corn dogs, serradura, patê e tostinhas. Haviam também batatas fritas e sumos para acompanhar.
Duas mães-utentes trouxeram quiche e um bolo.
Fizemos 86 corn dogs e todos voaram num instante (assim como tudo o que havia na mesa).
| Corn dogs (com cebola frita e bacon) |
Foi um dia complicado, atarefado mas muito, muito bonito na mesma!
Um dos (muitos) dias em que me senti profunda e genuinamente feliz por estar neste bairro há dois anos e (quase) dois meses.
Agradecemos a Deus a nossa permanência no bairro, as relações de amizade e confiança que se vão solidificando, a vida de cada um dos miúdos que está connosco, os colegas que ombreiam connosco na tarefa de amar e cuidar de cada um desses miúdos (por mais desafiantes que alguns sejam).
Senti-me quase como uma mãe de família num daqueles almoços de domingo, a cozinhar, organizar as coisas e a garantir que todos ficam satisfeitos. Gostei tanto!
Eu, a nível mais pessoal, sou profundamente grata por:
- Ter saúde! Ter um corpo saudável e funcional... Deus é mesmo bom!;
- Ter família e casa;
- Pelos meus colegas de trabalho;
- Pelo meu afilhado mais-lindo-do-mundo, do qual morro de profundas saudades;
- Pelos meus amigos e companheiros de viagem;
- Pelo acesso livre às coisas que mais gosto: conhecimento/artes/moda/liberdade religiosa/ liberdade de expressão e reunião;
- Sou grata por poder ser mulher em Portugal, a ter direitos e deveres, a ter um salário (na medida do possível) justo e equiparado;
- Sou grata por poder ser estrangeira em Portugal, onde a minha dignidade como ser-humano ainda me é defendida;
- Acesso a cuidados de saúde de grande qualidade.
Há tanto mais para ser grato, tanto mais...
Hoje lembrei-me muito de uma música que diz assim "Conta as bênçãos, diz quantas são/ recebidas da Divina mão/ uma a uma, conta cada vez/ hás de ver surpreso o quanto Deus já fez"...
Que grande verdade!!!
Sou-te muito grata, Senhor!
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