Desafiado a ir mais longe, a viver, a colaborar de forma consciente e pro-ativa.
Tem me lembrado dos meus sonhos de adolescente, me tem causado um grande sentimento de descontentamento.
Leio as palavras dela e penso "tem de haver mais. Tem de haver outra alternativa. Alguma coisa tem de ser possível"
Leio as histórias feias e que incomodam, daquelas que me fazem não querer ver o telejornal ou mesmo ver televisão; leio histórias nas quais revejo-me e me apetecem nadar o Atlântico e ir ao Brasil abraçar e cuidar dessa ala do hospital.
Depois, olho para a minha realidade, lá no bairro.
E penso "fogo, o que não me faltam são histórias dessas".
Ainda hoje lembro-me com muitas saudades do S e da L.
Dois irmãos que eram vítimas de agressões físicas e abuso sexual e foram retiradas do bairro, no verão passado.
Lembro-me das primas L e N, que também foram vítimas de abuso sexual, que descobri em novembro passado.
Lembro-me do I, vítima de abuso sexual, descoberto há 3 anos.
Lembro-me do R, também vítima de abuso sexual pelo padrasto e abandono pela mãe, descoberto há coisa de 5 anos e num longo processo de recuperação.
Já "perdemos" 5 miúdos... Todos eles foram retirados do bairro e, por consequência, da nossa instituição...
Há dias em que viver o serviço social é demasiado duro.
Manter a firmeza e a calma em frente aos miúdos e ter o coração despedaçado por dentro parece demasiado duro.
Sorrir, brincar, ensinar, ouvir e avaliar quando a garganta está seca e as lágrimas insistem em rolar parece demasiado duro.
Manter a postura e profissionalismo quando a vontade é pegar neles e levá-los para casa, cuidar e proteger parece demasiado duro.
Há que aguentar.
Mas o que nos resta se não ter esperança?
Esperança que naquelas horas que eles passam connosco eles podem viver (minimamente) o que é ser família.
Esperança que naquelas horas que eles passam connosco podem ser crianças e sentirem-se completamente seguros.
Esperança de que algo de bom está a ser investido nas suas (ainda) curtas vidas e que um dia podem vir a produzir frutos.
Esperança de que naquelas horas eles podem contar como correu o dia...
Resta-nos ter esperança...
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