segunda-feira, 21 de março de 2022

Love, amizade, caminhar junto


No passado dia 05, fomos celebrar o aniversário da E. 
Fiquei genuinamente feliz por ter recebido esse convite.
Foi mesmo um daqueles convites que te enchem o coração. 

Fomos só mulheres e foi mesmo muito agradável. Uma conversa incrível sobre a vida e como a navegar. 

A meio da conversa, falámos da necessidade de termos pessoas mais velhas a guiarem-nos nos assuntos importantes. Eu partilhava a “orfandade” que sentia em algumas questões da minha sexualidade e da sua expressão e, na altura, achava que era a única a sentir essas coisas. 

A JFC, partilhava que ela também sentiu essa carência quando teve de tomar decisões. E, hoje, estando ela casada há 5 anos ainda sente falta, em algumas áreas, mas que o facto de ter amigas a ajudou. 
A LJ e a própria EM, também confirmaram isso. 

No meio da conversa, lembrei-me de um conselho que o meu avô Zé sempre me deu:
“Nesta vida, o que se prova comida! Corpos não se provam. Todo alguém que te pede como prova de amor o teu corpo, não te ama. Porque quem te ama, espera e respeita.”

Na altura, eu nem entendia bem a profundidade desse conselho, mas foi aquilo em que o meu avô mais insistia!
Respeito pelo meu corpo e busca pelo conhecimento e sabedoria. 

A meio da conversa, percebemos que graças a esse conselho, que ficou tão vincado, me guiou e ajudou a navegar nessa vida. 

As meninas partilhavam que tiveram parceiros que as forçaram a provar o seu amor pelo sexo. 
Para mim, foi uma coisa surreal. Começando pela audácia…

Eu nunca na vida senti pressão a nível da sexualidade com ninguém. 
Não me recordo de ter nenhum namorado/ potencial candidato e ter esse tipo de conversa comigo, do género “se me amas, vem para a cama comigo” ou “prova-me o teu amor”…
Tive, sim, quem tentou aproximar-se de mim pelo benefício sexual mas com a mesma rapidez que chegavam era a mesma rapidez que se punham a milhas. 
Porque percebiam que daqui não levavam nada!

Eu fiquei espantada com isso…

Cada vez mais, vou entendendo o valor da comunidade. De espaços onde podes ser pessoa e expores a tua alma. 
Nu, cru e real. 
Sem “espiritualizar” mas sendo espiritual. Sem “levitar” mas sendo santo (como Ele também o É). Sem condenar, apenas a amar, ouvir, consolar e (se necessário) exortar. 

Cada vez mais, é necessário ser real. Comunidade real. 
Obrigada pelo convite, N!


 

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