sábado, 28 de agosto de 2021

Tradicional

Hoje, foi o nosso casamento tradicional. 


O que é que isto significa para além de termos roupas giras?
Significa que o A, foi cumprir os deveres de respeito e honra perante a minha família. 
Para casar comigo, ele teve de dar um dote à minha família. 

Confesso que este é um assunto que gera ambivalência mas participar do ato, testemunhar aquilo fez sentido. 

A família do A chegou e apresentou à minha família (pais, irmãos, tios e primos) o dote que foi pedido. 
O facto dele e da família se terem prestado a isto, quis dizer à minha família que “nós reconhecemos o que vocês fizeram para criar a vossa filha até aqui e somos gratos. Recebemo-la como sendo parte de nós”. 
Nesse dote, há presentes para os pais, para os avós e para os tios próximos (normalmente os mais velhos). 

A onda de alegria e de emoção era muito grande. Mesmo.
Vi isso estampado no rosto da minha mãe, das minhas tias e primas. 
Não sei se por serem mulheres (e atenção: todas elas passaram por esta cerimónia) ou por ser muita coisa misturada (nostalgia, alegria pelo meu processo, esperança…)…

O que vos explico é que desde hoje (e para sempre) o A é o meu marido. 
Toda a comunidade reconheceu isso. E, em Angola, muitas vezes, este casamento tem mais peso do que o casamento civil. 
É sabido que o A “manteu” a Belinha. 
Os filhos irão pertencer-lhe (em todos os sentidos sentidos. Como se lhe fosse mesmo conferir a paternidade legal). 
Isto é complexo!!! Mais complexo do que posso explicar por palavras. 

Outra coisa que também aconteceu foi que o respeito aumentou!
Todos respeitam e reconhecem o A. Por ser um jovem que cumpriu com as suas obrigações. Não fugiu com o rabo à seringa




Portanto fizemos tudo. Fizemos o que era correcto. 
Cumprimos os nossos deveres de filhos, cristãos e membros de uma sociedade. 
Em tudo, lembrámos o Senhor. Em tudo queremos que Ele seja parte central. Para nós levar a bom porto. Até ao fim. 

É isso, estamos plenamente casados. 

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