quinta-feira, 27 de agosto de 2020

I do not know, sir!

Graças a Deus, comecei a trabalhar!
Por isso, tenho andado todos os dias cansada e não consigo escrever. Mal consigo pensar. Mal consigo parar para pensar. 

Hoje de manhã, vim deparam-se com o quão feio e tenebroso é este mundo. 

Sou muito voltada para a esperança e para a possibilidade de um mundo melhor, amanhã. 
Há quem diga que sou esperançosamente teimosa. Insisto em ter esperança... okay...

Mas o mundo é mesmo feio. 

Será que tenho vivido a minha vida numa redoma de vidro? Ou será que me tenho anulado de realidades?
I don’t know, sir!

Qual tem sido a minha postura mediante os sofrimentos dos outros? Tenho gritado nas redes sociais e mantido uma posição? Têm sido estas manifestações suficientes?
I don’t know, sir!

Li uma frase que me afectou:
“Cresci numa comunidade que ensinava o amor incondicional mas que para ser aceite tinha de ser de certa forma. (...) Essa mesma comunidade também ensinava que mentir é pecado (...)”

Nestas declarações, fico sempre confusa e não sei o que dizer. 
1.º Porque Deus não precisa de um advogado - logo, não tenho de O defender;
2.º Como não sou eu quem define as regras, não posso invertê-las para agradar - lamento, mas não posso!;

Sei que Deus ama a todos e quer que todos o conheçam. Como é que isso se processa e dá resposta às perguntas difíceis?
I don’t know, sir!

A única coisa que eu sei é que Quando olho para mim, de alto a baixo, percebo o quão quebrada sou. O quão imperfeita sou, o quão má sou. Mesmo que me tente esquecer, mesmo que tente só olhar para o lado bom... o poço profundo e malcheiroso está sempre aqui...
E se o meu poço fosse mais evidente? Mais público? Chocasse mais?

Por motivos completamente diferentes, também aprendi o que é estar no foco das conversas maldosas. 
Sei o que é ter o coração destroçado, o carácter posto em causa - por quem, pelos relacionamentos, deveria saber melhor, deveria responder melhor, deveria cuidar e ouvir melhor. 
Também sei o que é ser picado por uma mamba-negra... assim como sei que é difícil sobreviver. Porque a picada é mesmo mortal...
A minha salva foi ter sido socorrida a tempo e estar a ser muito cuidada, há muito tempo...
Também é bom ter um sistema humanitário cuidado, porque as defesas internas têm de estar aptas, porque se não, por mais cuidados que se tenha... bye bye!

Não quero ter medo de viver. Não quero ter medo de sair à rua. 
Porque há violência contra pretos, contra gays, contra deficientes, contra pouco estudados, contra muito estudados, contra o diferente, contra o “fora da caixa”, contra o fora da norma. 
Há violência física, há palavras “bazuca”, há olhares “x-acto” e vários outros tipos de violência. 

Muitas dessas eu já experimentei, por motivos diferentes. 
Faz de mim, alguém já bem “experimentada”...

Ainda sonho com um mundo onde haja respeito. Não politicamente correcto, respeito!
Porque é normal não compreender tudo, é normal haver o diferente. 
Pelas várias experiências, só quero não me esquecer delas. Para quando for a minha vez de ouvir, cuidar e falar, tenha mais tento na língua, tenha mais expressões de misericórdia e graça para poder, de alguma forma, “representar” de forma (minimamente) semelhante a divindade... 
O que não me compete, I don’t know, sir!

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