quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Este meu lamento...

Aos meus queridos amigos e companheiros:

Quero pedir-vos perdão!
Perdoem-me porque eu não estive “em mim” nestes últimos meses. 

Enfrentei uma crise enorme e não soube como lidar com ela. Não sabia como nem para que lado me virar, então decidi entrar na minha gruta. 

Desde janeiro até ao passado mês, estive num processo muito difícil e doloroso. 
Cronologicamente, os “eventos” se foram acumulando e agravando o meu estado:

Dez’18 - Jan’19:
Regresso da missão, altamente empolgada, a viver nas nuvens e, de repente, escorrego - sem almofada para amparar a queda- para o princípio das crises. 
O projecto em que trabalhava fechou, não renovámos, sou “atirada” para o desemprego sem uma “rede” de segurança. 
Senti que o meu “filho” de 4 anos me foi violentamente tirado dos braços...
Ergui-me, fui à luta e procurei emprego. 

Fev - Jul:
Comecei a trabalhar 8h num call center. 
Estive a “apoiar” clientes insatisfeitos. Gerir chamadas que num espaço de segundos, passava de um simpático e amigável para outro iracundo e violento, até...
Lembro-me que numa dessas chamadas, eu e toda a minha ascendência fomos ofendidos e enviados para locais que os GPS’s não conhecem...

Mar - Jul:
Enfrentei uma profunda crise familiar que me desestruturou por completo. 

No meio de todos estes eventos, tive de tentar manter um emprego e servir a OM Portugal (a título voluntário). Correu tudo muito mal!

Estive deprimida, vivi dias muito maus... 
Foi difícil gerir a vida: trabalhar 8h no call center, “servir” (nem deveria usar esta palavras... foi mesmo muito mau) a OM Portugal, ter uma casa para cuidar...

Grande parte dos meus dias nestes 7/8 meses foram marcados por tristeza, dor e lamento. 
Por isso, tive pouca paciência, graça e amor para doar. Fechei-me no meu mundo e na minha dor, fiz o mínimo indispensável (o que me exigisse dispensar o menor de energia - emocional, especialmente - possível). 
Ergui muros de auto-defesa impenetráveis e bloqueei acessos. Porque quanto menos pessoas souberem, menos perguntas fazem. Menos perguntas, menor a obrigação de ir reviver os momentos... toda uma bola de neve. 

É por isso que quero pedir perdão!
Não estou à procura da tua simpatia (simpathy). Quero, com isto, criar uma ponte de acesso a mim. 

Em tudo isto, Deus foi mesmo a minha grande estrutura e segurança. Deus mimou-me com um presente muito bom, que tem sido uma bênção e um canal de redenção para mim: o meu namorado, Ailton. 

Não pus fim. Ainda cá estou. Graças a Deus!

Louvado seja Deus pela Sua grande capacidade de não desistir de pessoas e de continuar a amar missionários que escolhem obedecê-Lo mas que ainda têm uma vida terrena comum. 

Pelo período de dor e sofrimento, louvado seja o Senhor. 

“Se o verão não dura para sempre, certamente o inverno também não.”



1 comentário:

  1. Uau Isabel, és mesmo uma valente. Tenho muito orgulho em ti. Sei como é difícil falar quando nos sentimos mais em baixo. Estou aqui para ti sempre que precisares. Abreijos!

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Expressar? É em baixo