terça-feira, 10 de julho de 2018

A Belinha em Missão #10

No passado dia 10/06, tivemos a nossa campanha evagelística no santuário de Fátima
Fomos ao "coração" da cidade anunciar que Jesus é o Salvador.

Reunimo-nos de manhã, às 09h30, perto das imediações do santuário.
Erámos um grupo de 10 pessoas:
Momento de oração com o grupo de irmãos da AD Leiria













Começámos a distribuição de literatura perto das 12h15.
Não foi possível distribuir antes porque o tempo estava muito mau, chovia muito e como as pessoas chegavam apressadas para encontrar um "bom lugar" para assistir à missa, o João (ou João Estevão, líder da OM em Fátima) decidiu que iríamos distribuir o máximo de literatura possível no final.
Fomos distribuídos pelos pontos estratégicos e fizemos o possível.

Por ser a peregrinação infantil, focamos os nossos materias nos mais miúdos, mas não foi por isso que os graúdos deixaram de aceitar e solicitar o material que tínhamos disponível (Boa Semente, A história de Jesus Cristo, O Livro de Vida, BS Teen, etc).
Apesar de estar tão mau tempo, pudemos distribuir cerca de 6.400 exemplares de literatura.
Um dos exemplares distribuídos

Estreei a minha capa de chuva!

Participar desta campanha, mexeu muito comigo, pensei em algumas coisas e agradeci a Deus por me dar a oportunidade de expandir a minha visão:

- A distribuição de literatura resulta!
No início da distribuição, estava muito apreensiva e dava as coisas muito a medo porque só me lembrava das "grandes barras" que levava em Lisboa. Fui surpreendida!
As pessoas estão receptivas a receber o material, pediam exemplares extra para "netinhas", "sobrinhos". 
Havia quem não queria, mas as pessoas não tinham aquela abordagem gelada, que parte o coração em pedacinhos (ahahah).
Tudo aquilo que demos, eram materiais que eu recebia na EBD e que eu não dava assim muita importância... aqui, serviram com muito valor...
Esta imagem comoveu-me muito!
Chovia muito, o menino ia com a família e
não tirava os olhos da "Boa Semente",
nem se quer para perceber se iria chocar contra algum pilarete!


- Os semeadores
Enquanto estávamos a dar as coisas, lembrava-me muito da parábola do semeador.
Cada vez que dava um exemplar, imaginava-me como aquele semeador que sai pelos campos lançando sementes (tentem visualizar isto - vocês com um punhado de sementes, lançá-las ao ar, vê-las cair nos solos. É tão fixe!).
Senti-me tão privilegiada pelo Senhor mas ao mesmo tempo, percebi que somos muito pequeninos... tão pequeninos, no meio disto que é o "Reino de Deus".
Este está "vidrado" na BD sobre a vida de Jesus.
Também me tenho lembrado muito de 1 Co 3:6-7.
Ajuda-me a centra-me e meter-me no sítio certo, porque é Deus quem dá o crescimento. Ele é que é alguma coisa nisto tudo. Nós somos apenas canais!
Isso retira o peso de querer "converter" as pessoas e lembra-me que eu não sou mesmo nada importante. "Comigo ou semmigo", Deus faz o que quer!

Terminámos a distribuição perto das 14h30 e o resultado foi muito, muito bom!
Para o dia que estava, foi espetacular termos distribuído tanto.

Só para partilhar algumas histórias interessantes:

1. A Ana decidiu oferecer um exemplar d' "A história de Jesus Cristo" a um senhor já mais idoso. Este, recebeu o exemplar e seguiu o seu caminho. Passado uns momentos, o senhor volta para trás e diz a Ana:
- Ó menina, gostei muito disto! Eu aceitei porque você estava a dar mas como não tenho os óculos comigo, não via nada, mas vi aqui isto ( e aponta para a citação de João 3:16) e gostei muito. Gostei muito! Vou ver melhor quando tiver os óculos.

2. O ir. Quim, ofereceu um exemplar a um outro senhor e este ficou muito intrigado porque estávamos a oferecer literatura. Segundo o ir. Quim, estiveram uns bons 2m a discutir por causa de 1€ (o senhor não acreditava que a revista "O Livro da Vida" era gratuita e insistiu muito para que lhe cobrassem o valor da revista ou que pelo menos "aceitasse 1 eurito"). Por causa dessa discussão, o ir. Quim teve a oportunidade de partilhar sobre quem era!

3. Uma senhora veio ter comigo, depois de ter entregue uma "A história de Jesus Cristo" a uma menina, dizendo:
- A menina desculpe, pode dar-me uma dessas revistas?
- Claro que sim, mas esses livros são mais para crianças...
- Ah, não faz mal! Eu gosto de ler e a minha viagem ainda é longa. Pode dar-me uma de cada?
Eu não fui de modas e dei-lhe de tudo o que tínhamos disponível.

4. Senhora do olho roxo:
Nos momentos em que chovia muito, eu e a Natália, abrigavamo-nos num alpendre. Entretanto, vi passar por nós (duas vezes) uma família que me chamou muito a atenção.
Era um casal com dois filhos, um que parecia já ter uns 6 anos, e um bebé de colo. A senhora tinha um olho roxo e o companheiro - creio eu - abraçava-a pelo pescoço, mas de uma forma muito esquisita.
Nessas duas vezes que eles passaram por mim, senti que deveria ir falar com a senhora. Era um incómodo mesmo muito grande. Mas não tive coragem!
Quando os acompanhava com o olhar, notava que a senhora não estava bem e que ele ia aumentando a pressão que lhe exercia sobre o pescoço.
Não sei se foi isso que me inibiu de ir, sei que tive medo de ir "piorar" a vida dela... e não fui...
Orei por ela apenas no meu lugar mas aquela imagem acompanhou-me durante algum tempo...

Dois dias depois, os Rodrigues, levaram-me a visitar o santuário...
No domingo, o João propôs umas três vezes que fosse dar uma volta pelas imediações. Que fosse ver a parte mais "nuclear" daquele terreiro.
Não cheguei a ter a oportunidade de ir... 1º porque estávamos à espera do grupo, depois porque precisava de tratar de alguma logística que eles recomendaram (comprar água, comer qualquer coisa, porque iríamos ficar muito tempo em pé) e por fim, saímos a correr porque tínhamos de ir almoçar e voar para a igreja...

Alguns amigos iam-me enviando SMS's a perguntar se já tinha ido visitar o santuário. Cada vez que dizia que não, eles pareciam ficar sem assunto. Parecia que estavam ansiosos pela minha visita ao santuário e eu não percebia o porquê de tanta insistência.

Tenho a dizer que a visita foi mesmo muito dura!
Saí de lá com a alma pesada e coração partido.

Vejam algumas fotos:
Este carreiro branco é o local para as
promessas de joelhos.

Aqui lê-se: "PEDIMOS A SUA COMPREENSÃO:
Impossível queimar dignamente todas as velas no tocheiro.
Acenda uma vela só.
Coloque as restantes na pira.
A sua promessa fica cumprida"

Este senhor, tem uma estrutura de perto de 1.85m,
foi colocar uma vela do seu tamanho.

Este jovem, já estava a dar as voltas à "Capela das aparições",
ou seja, já estava no final do percurso de joelhos.
Ver o estado de cegueira espiritual e o como as pessoas estão aprisionadas, arrasou-me!
Este lugar é mesmo tenebroso. Nunca tinha visto nada assim. 
Ver as coisas na televisão não transmitem o seu peso real. E, parece-me, há coisas que só se percebem estando presente...

O João me foi explicando algumas coisas e uma curiosa é que, na Basílica da Santíssima Trindade, há esta pintura:


Qual é o seu significado?
Do lado direito, está um grupo de pessoas (a igreja terrena) que aguarda por ir para o paraíso, para se encontrar com a igreja celestial (grupo de pessoas à esquerda). 
Eles só podem ser transportados para lá por Jesus Cristo e o seu sacrifício na cruz (representado pelo cordeiro - por trás do crucifixo) MAS, o indivíduo só "atravessa" SE Maria (figura em destaque - à direita -, vestida de branco) aceitar o sacrifício de Cristo pela pessoa.
Ou seja, Jesus entregou-se, mas Maria analisa, caso-a-caso, se os indivíduos estão aptos a receber esse sacrifício ou não!
É Maria quem decide quem merece ser salvo ou não.

Depois, fomos ver a Basílica da Senhora Deles do Rosário, as capelas subterrâneas e o Museu...

Cheguei a casa muito perturbada...
Nos dias seguintes, foi muito difícil conter as lágrimas e até conseguir adormecer...
Há tantas almas perdidas, cegas no seu entendimento, tantas pessoas sem rumo... as pessoas andam mesmo como "ovelhas sem pastor"...
Elas têm fé, têm devoção mas tudo depositado onde não há salvação nem esperança. Porque, realmente, esses deuses "Eles têm olhos, mas não vêm. Têm ouvidos, mas não ouvem. Têm boca, mas não falam"
Foi o dia mais difícil que vivi em Fátima, até à data.

Também creio que Deus foi muito misericordioso comigo porque eu não vi nada no dia da peregrinação dos miúdos...
Acho mesmo que Deus poupou-me de ver os miúdos...

Sou muito grata ao meu grupo de intercessores, que nos dias seguintes oraram sem cessar por mim...

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