sexta-feira, 1 de junho de 2018

A Belinha em Missão #6

Esta novidade que tenho de lidar é bastante perturbadora!

Acabei de descobrir que não vai ser possível ir para o Equador.
Esta notícia chegou como um murro no estômago mas em tudo vi como Deus agiu.

O grande problema prendia-se na questão do meu passaporte.
O meu passaporte estava (e continua a estar) preso em Angola. Não está a haver emissão de passaportes em Angola há muito tempo (desde Fevereiro pelo menos).
Tentei por todos os meios possíveis e legais, resolver essa situação. 
Orámos, jejuamos, tive várias audiências com a Vice-Cônsul de Angola em Portugal mas a situação não se bloqueou.

Foi um momento de grande confusão porque enfrentei todas essas dificuldades a uma semana da data prevista da minha partida (30/05).
Não sabia como lidar com as minhas emoções e com as pessoas!
Não sabia como lidar com o: "Então, Belinha, novidades?"/ "Então Belinha, quando é que partes?".
Sabia interiormente que eram perguntas recheadas de amor e cuidado mas nem eu própria sabia lidar comigo, com as expectativas, planos e sonhos frustrados. Foi muito difícil.

Como a situação não se estava a desbloquear, fui falar com a Clara (amiga da agência de viagens que tratou do meu bilhete) e pedi-lhe para cancelar o meu bilhete.
Ela explicou-me as regras de funcionamento das companhias aéreas e disse-me que iria expor o meu caso e ver o que se conseguia, mas que no máximo iria apenas receber de reembolso as taxas do aeroporto.

Saí de lá triste...
Entretanto a minha líder da OM já estava à procura de novos sítios para servir e surgiu como "ponta de esperança" ir para Espanha.
Voltei a ficar super animada com a possibilidade e fui ao SEF tratar de algumas coisas e fazer perguntas.

No SEF, soube que não me era aconselhável sair do país antes de Agosto (por causa da validade da minha AR e por não ter o passaporte). 
Outro murro no estômago!
Já não poderia ir para o Equador e agora também não podia partir para Espanha...

Senti-me à deriva!
O "pior" aconteceu...
Estava presa a estar parada.
Olhava para mim e para a minha situação como aqueles pequenos barcos no mar quando não há nem ondas nem vento. Parados ali, sem rumo e sem direcção...
Vida suspensa!

Umas horas depois, a Clara liga-me e diz-me que um milagre aconteceu!
Ela escreveu à companhia, explicou que eu era missionária, que não poderia viajar porque o meu passaporte não chegou a tempo de poder pedir o visto no Consulado Equatoriano e sem levantar problemas a companhia reembolsou-me na totalidade um bilhete não reembolsável!!
Irei apenas pagar uma taxa de cancelamento mas irei receber mais de 65% do valor do bilhete de volta.
É um milagre!

Com essa resposta, percebi que Deus, como Soberano que É, fechou essa porta!
Era tempo de abrir mão do Equador, fazer o luto da situação e continuar caminho.

Mas as emoções e pensamentos começaram logo a bater em força:
1. Já não iria poder viajar para o Equador;
2. Também já não podia ir (imediatamente) para Espanha;
3. Não podia me ausentar de Portugal, até final de Agosto;
4. Estava de licença (ou seja: não estava a trabalhar logo não tinha sustento);
5. Não podia regressar para o meu trabalho porque não podia colocar outra pessoa no desemprego porque "fiz mal uma leitura dos tempos ou porque fui precipitada ou porque sei-lá-mais-o-quê"...

Foi complicado lidar com essas emoções e pensamentos, dar a notícia aos meus líderes da OM que já estavam felizes porque me iriam integrar numa nova equipa, tentar explicar às pessoas à minha volta os contornos que se deram...
Mas tive de o fazer e, nisso também, recebi o amor de Deus e a certeza de que Ele me sustenta.
As pessoas mostrara-se compreensivas, continuaram a mostrar que me apoiam independentemente do destino (apoiam-me a mim! Não o destino mas o indivíduo) e acarinharam-me muito!

A Christina da OM é simplesmente fenomenal e apresentou-me outra opção: vir servir na mesma mas em Portugal!
Se o mais importante é ir e servir, então devia ir onde Deus me indica. Continuava a ser empurrada para fora da minha zona de conforto.
Por isso, irei integrar a equipa que está a servir em Fátima e depois seguir para Pedrógão Grande.
Então estou a preparar-me para ir para lá!

Sinceramente, o que mais me importa nessa fase é ir e começar!!

Sobre Deus nisto:
Apesar de todas as impossibilidades, sempre me senti muito sustentada por Deus.
Nunca me senti desesperada. Sentia a vida suspensa, desorientada no sentido de não saber o rumo das coisas mas nunca desesperei.
Nunca senti que queria arrancar os cabelos ou bater com a cabeça nas paredes.
Deus esteve sempre presente, de muito perto mas em silêncio. Como na história relatada em Ester. Deus está em tudo mas nunca vemos menção directa dele.

Lições:
1. Deus é mesmo Poderoso - E esta história do reembolso??
Deus é capaz de fazer o que quer e ponto final!
Se Ele ordena que sim, é sim. Se Ele ordena que não, é não!
Ele ordenou que as coisas burocráticas não se desenrolassem para o fim que eu queria e não aconteceu, mas Deus quis que não fosse prejudicada financeiramente e o dinheiro voltou!

2. Deus é mesmo Soberano - É Ele quem manda!
Deus é que sabe para onde devo ir, onde me devo encaixar para ser uma bênção.
Ele, como Dono e Senhor do Reino, sabe onde me colocar estrategicamente para suprir uma necessidade. Essa é a tarefa do missionário (mesmo dos missionários mais controladores)!
O missionário vai para onde Deus quer que ele vá.

3. Deus é o Senhor dos recursos - Põe nas mãos Dele!
Qualquer coisa, por mais pequena que seja, pode ser exponencialmente multiplicada quando colocada nas mãos de Deus.

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