Eu gosto imenso de um filme (aliás, é o meu filme preferido desde a adolescência) que se chama "13 going to 30".
No filme, a personagem principal, Jenna, faz 13 anos e quer convidar para a sua festa as miúdas mais populares da escola. Ela conta isso ao seu melhor amigo, Matt e desenrola-se um diálogo que foram as minhas punch lines:
Matt: I can't believe you invited those clones.
Jenna: They're my friends.
Matt: The Six Chicks are not your friends, okay?
Jenna: Almost. And someday I'm gonna BE a Sixth Chick.
Matt: There are six of them, Jenna, that's the whole point. There can't be a seventh Sixth Chick. It's just mathematically impossible. (..)
Depois:
Não sei se já leram um livro do Tim (Timothy) Keller intitulado "Falsos Deuses" ("Counterfeits Gods").
Se não leram, acho que deveriam ler. A sério!
Mesmo a sério!
Ele é bom porque faz um raio X ao nosso coração.
De uma forma profunda... e eu gosto disso!
Vi o livro, lembrei-me do assunto e decidi começar a escrever sobre ele, mas demorei imenso!
Comecei a escrever mas parei. Passado uns dias voltei a escrever de novo e parei mais uma vez. Não é um assunto "fácil"... mas cá vai:
Eu estava a ter uns problemas interiores à cerca de algumas amizades que tinha há uns tempos atrás e decidi parar para reflectir.
E essa reflexão estava intimamente ligada a pessoas específicas. A um grupo específico.
A reflexão foi importante porque pude aperceber-me de certas coisas (coisas importantes e profundas), mas não foi boa!
Não foi bom, nem foi fixe, porque tive de ir ao âmago das questões. Isso dá trabalho e incomoda.
A conclusão final a que cheguei é que eu idolatrava essas pessoas!
Idolatrava-as tanto que fiz tudo aquilo que um idolatra faz: fazer das tripas coração para obter o amor/atenção desse ídolo.
No meu caso, desse trio.
Mais tarde é que fui aprender que a matemática tem uma característica muito particular: ela é exacta!
Trio = 3!
Haviam umas pessoas que eu admitarava muito.
Admirava-as pela sua postura, o zelo por conhecer a Bíblia, pela proximidade e ligação entre elas. Admirava o quanto elas se incentivavam a viver uma vida centrada na vontade de Deus, o muito buscar conhecer e perceber a sua (real) identidade, quem são em Deus e para o que foram criadas.
Admirava-as pela expressão amável e postura amiga que tinham umas com as outras.
Admirava tanto que sempre quis fazer parte daquele "grupo". Ou melhor, era um trio que eu sempre quis fazer parte.
Quis muito fazer parte porque também queria viver aquilo.
Queria tanto que tentei nas mais variadas formas fazer parte e consegui entrar naquele trio.
Mas a matemática é mesmo exacta!
Entrei e fui aceite pelos membros e comecei a relacionar-me individualmente com cada uma daquelas pessoas.
Esforcei-me, dei o "meu melhor", mas a matemática é isso mesmo: exacta!
Esforcei-me para me encaixar, para pertencer e corri atrás de algo como nunca antes tinha feito. Porque queria que a minha ligação com aquelas pessoas fosse num nível de igualdade.
Queria tanto ter a profundidade de ligação e comunhão que mantinham entre si que comecei a competir. Competir nas coisas mais básicas: quem é que está mais tempo com quem, quem está mais disponível do que quem, quem está a ler o quê, quem sabe o quê sobre o que for.
Depois de competir, vi que os esforços não eram suficientes e passei a invejar o relacionamento.
Invejava-as de tal forma que se acontecesse algo da qual eu não fosse informada pelas mesmas, ficava magoada, ressentida e ardia em ciúmes.
Só pensava no porque que ninguém me contou nada, porque que fiquei de fora e (pior) se isso aconteceu é porque não gostam de mim e não me querem na vida delas...
(Coisas mesmo agrestes... nas quais não me identificava. Tipo, Eu, Isabel André??? Nããã)
Pelas vicissitudes da vida, fomos todas "separadas".
Eu comecei a trabalhar a sério e a não ter disponibilidade, duas foram para fora do país e outra ficou cá, mas agora está longe.
No início ainda continuei a esforçar-me muito e a competir.
Apesar de longe, queria estar perto. Esforçava-me para manter a comunicação, esforçava-me para me fazer presente nas vidas dessas pessoas... mas a matemática é mesmo assim: exacta!
Aos poucos, decidi afastar-me só para tentar perceber se fazia falta e percebi que não. E quando cheguei a essa constatação, em vez de sair de cena com a minha dignidade, não!, decidi esforçar-me um bocadinho mais.
Colei luzes neon na testa, fiz sinais de fumo e usei luzes de salvação e socorro (como fazem os barcos que estão perdidos ou a naufragar).
Isto porque queria fazer parte de um trio!!!
Mas a matemática é mesmo assim: exacta!
Outra vez as circunstâncias afastaram-nos e eu voltei a aperceber-me daquilo que já tinha me apercebido antes e não quis aceitar: a matemática é mesmo assim!
Hoje, com tempo suficiente, consegui aperceber-me qual é o meu papel, como devo agir e que a matemática é mesmo assim: exacta!
Após esta análise, com a cabeça fria, consigo agradecer muito por tudo o que essas pessoas fizeram por mim!
Aprendi muito com elas sobre mim, sobre Deus, sobre os nossos papéis primordiais, a nossa identidade de género e o privilégio que é cada um de nós ser como é. Homem e Mulher. Homem ou Mulher.
Ambos criados à imagem e semelhança de um Deus que é (tão, tão, mas tão) amoroso, ambos dignos mas acima de tudo: diferentes. E essa diferença é bela e harmoniosa.
Analisando de forma profunda, eu idolatrava mesmo aquele relacionamento que mantinham entre eles, queria ser como elas, queria ser elas... mas hoje entendo que eu sou eu!
E como sou é suficiente!
É impossível ser uma quarta pessoa num trio, é impossível agradar a todos e acima de tudo: temos de aprender a ser suficientes.
Ser grato pelas pessoas que voluntariamente estão nas nas nossas vidas, que nos amam e apreciam tal e qual como somos e fazer o mesmo com e por elas.
Organizar o coração de forma a que as coisas certas estejam nos lugares certos traz muita liberdade!
Ver e reconhecer os meus ídolos traz-me a liberdade de tirá-los do pedestal, arrumar a coisa no sítio certo e colocar quem é devido lá: Deus!
Foram as grandes liçoes que aprendi.
Stay:
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