segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Chega! Chega de tanta indiferença

Olá,
Chamo-me Isabel, tenho 24 anos e sou cristã evangélica por convicção desde os meus 17.

Cresci numa casa que teve a sorte de receber a herança do Evangelho.
O meu avô Zé pastoreou uma igreja e o meu avô Dudu foi diácono e ancião (até que a saúde e a sanidade mental começaram a faltar. Sim, o meu avô Dudu sofre de Alzheimer), e isso fez com que os meus pais conhecessem o Evangelho em meninos.

Quando eles vieram para Portugal essa herança perdeu-se.
A minha avó Teresa lembrou-se de levar os netos à igreja, recuperando a herança.
Ela acordava-nos sempre muito cedo e íamos ao culto infantil, tinha eu 4 anos.
Esse ritual durou até aos meus 7 anos, quando o meu avô Zé veio a Portugal para fazer um tratamento mais prolongado.
Depois passei a ir à igreja com o vovô Zé, numa outra igreja.
Eu gostei tanto de lá estar que, com 9 anos e numa igreja mais longe, passei a levar os meus irmãos mais novos comigo.
Acordávamos ainda mais cedo, saíamos juntos de mãos dadas e com cuidado ao atravessar a estrada
E naquela igreja cresci.

Cresci a ouvir que existia um Deus que é bom, que ama profundamente o mundo, que me ama profundamente e queria ser meu amigo outra vez.
Mais do que ser meu amigo, queria ser o meu Pai. O meu Pai perfeito.
E também quer voltar a ser amigo de todas as pessoas. Ele quer mesmo reconciliar-se com o mundo, com as pessoas. Deu o primeiro passo mesmo sendo Ele a principal vítima

E essa mensagem trouxe uma alegria e uma segurança tão grandes que não consegui ficar indiferente.
Com 13 anos, decidi fazer alguma coisa e comecei a ajudar as professoras a ensinar outros sobre essa mesma mensagem.
Também fui do tempo em que íamos à rua distribuir literatura na rua.
O pior que nos podia acontecer era levar desprezo, atirarem com a nossa literatura para o caixote ou recebermos alguma frase seca para deixar de importunar a vida da pessoa ao lado.

Tenho livre acesso a uma Bíblia e até me pude dar ao luxo de escolher a versão que mais me apetecia.
Frequento uma igreja que tem um letreiro bonito, com cores vivas e chamativas ao longe.
Cantamos e tocamos músicas de forma bem audível, temos pessoas simpáticas à porta. Prontas para receber qualquer um.

Aqui, em Portugal.

Mas sempre bloqueei um assunto.

Este:
Perseguição!

É um assunto que me incomoda, dói-me alma, dá-me suores frios e arrepios pensar nos meus irmãos na fé que neste preciso momento que escrevo (e que lês) estão à beira da morte.

E porquê?
Porque um dia conheceram essa mesma mensagem que os encheu de alegria e uma segurança que não as quiseram guardar para si próprios.
Acreditam que isto é tão bom, tão bom que devem partilhar essa mesma mensagem com outros. Mesmo que isto lhes custe a vida. Que lhes custe a saúde, as famílias e os seus bens.

Neste lado de cá, vou fazendo "a minha parte". Partilho, ensino e apoio.
Mas é tão mais fácil esquecer-me de ver as notícias, de orar e jejuar por eles.
É tão mais fácil emaranhar-me nos meus problemas, nas minhas coisas, no meu mundinho e fingir que nada se passa.
É mais fácil... custa menos...
E como custa pensar, 'bora cauterizar?

Mas já cheguei ao ponto em que não posso mais evitar e ser indiferente!
Mas que raio de familiar sou eu que não me lembro dos meus que estão mal?
Que raio de membro do Corpo de Cristo sou eu que não me lembro de sofrer com o resto do corpo que sofre? (Eu fui operada há bem pouco tempo, esta analogia serve tão bem...)
Que prefiro tapar os olhos porque "longe da vista, longe do coração"?

Oro para que Deus tenha misericórdia de mim e por coragem...

Hoje decido orar pelos meus irmão que são perseguidos e não só hoje mas fazer disto o meu motivo de oração.
E juntar-me ao movimento Open Doors e servir de forma prática, ativa e consciente estes meus irmãos!

Chega de indiferença

Agradeço à Ana Rute Cavaco pela chamada de atenção!
Vejam o blog dela aqui
Se também queres deixar de ser indiferente, vê mais informações sobre a igreja perseguida aqui e aqui

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