Começo por desabafar que sou muito grata ao Senhor pelo fim de semana que tive em Água de Madeiros!
Foi um tempo que estava mesmo a precisar com urgência. Precisava de descansar, precisava de parar e, também, precisava muito de sair e estar com adultos. Fazer coisas de adultos, ter conversas de adultos, ouvir conselhos de pessoas mais adultas que eu, partilhar e testemunhar as coisas que Deus tem feito.
Então foi ótimo!!
Originalmente tinha marcado estas férias porque queria ir para a Inglaterra, Londres, ter com a Ivy.
Londres é uma cidade que quero muito conhecer, é das minhas cidades de sonho, e então pensei "olha, nem é tarde, nem é cedo vou tratar das coisas para ir".
Começei a tratar dos processos básicos para viajar, como comprar o bilhete, mas, infelizmente, as coisas não correram como planeei ou previ e por uma situação que 'me apanhou na curva' não pude ir (e sim, perdi o bilhete...).
Pensei em desmarcar as férias na instituição e aplicá-las para alguma outra altura mas decidi deixar tudo como estava porque já estava muito, muito cansada... estava cansada dos miúdos, dos gritos, lutas, ralhetes, tpc's, etc. Estava mesmo farta!
Falei com a Cátia, muito em cima da hora, e ela inscreveu-me e arranjou boleia para mim (porque alguém tinha adoecido)... A mão de Deus em tudo!!
Mostrei à Cátia a minha disponibilidade para ajudar no que fosse preciso mas (claro!) ela já tinha tudo orientado então só tive de descansar.
Chegamos, na 6f, e fui ver se havia alguma necessidade. Era só fazer o check-in, atender e responder a dúvidas que a Cátia não podia dar resposta no momento. De resto não havia muito que fazer porque já estava tudo tratado.
Passei a noite de 6f sempre de pescoço erguido e olhos atentos para alguma necessidade.
E não havia nada para fazer! Só tinha de descansar...
Descansar não é das coisas que me assistem muito, mas desta vez fui mesmo impelida a descansar!
Tive um bom jantar, com boa conversa e depois o quiz do GBU foi fixe.
Como estava cansada, e tem sido habitual, fui deitar-me bem cedo.
Lembrei-me da oração que fiz antes de sair de Lisboa "Senhor, ajuda-me a parar" e com essa consciência dormi conformada com o não fazer nada.
Acordei bem cedo no sábado e fui fazer jogging com algum pessoal. Eramos 13!
Enquanto caminhava, sozinha e em silêncio, ia orando, ia olhando e lembrei-me, outra vez, da oração que fiz "Senhor ajuda-me a contemplar".
Decidi contemplar as nuvens, as plantas que crescem à beira da estrada, ver o mar que estava à minha direita, as pessoas que caminhavam comigo...
Cheguei, fui tomar o pequeno-almoço. Na minha mesa estava a Louise George. Ela é muito fixe e temos sempre muito boas conversas e elas perguntou-me algumas coisas sobre o meu trabalho e expliquei de forma bem geral.
Depois de um belo banho, fui à oração.
E era o Salmo 46...
Tivemos a reunião da manhã e, wow...
O Clark levou-nos a refletir sobre a centralidade de Cristo com o texto da carta do apóstolo Paulo aos habitantes da antiga cidade de Colossos.
(Em Colossenses 2:6-10)
E aí cantamos o "Profundo amor do Pai"...
Esta letra é tão forte. Eu não consigo ouvi-la e ficar indiferende mediante da exposição deste profundo amor do Pai. Normalmente, fecho os olhos e imagino-me lá, nos momentos em que Jesus estava a ser julgado, severamente castigado, a carregar a cruz até ao Golgotá (lugar da caveira), a crucificação e quando, por fim, ele morre.
Imagino-me, no meio do povo, a gritar em plenos pulmões "Crucifica-o! Queremos Barrabás. Castiga-o". Afinal, foram, também, os meus pecados que o levaram até lá, foram os meus pecados que fizeram com que Deus tivesse tomado essa atitude de amor, profundo amor por mim também.
Depois ouvi o testemunho do Gérson, meu puto. Apesar de não ser novo, o versículo que ele leu marcou-me muito!
Esta na segunda carta do apóstolo Paulo aos habitantes da antiga cidade de Corinto, capítulo 4:16 e 17.
Chegou então o momento em que o René Breuel foi partilhar a palavra e foi mesmo muito bom. Ele falou da indignação santa, dando como título à sua exposição "A anatomia de um chamado".
Usando como personagem central Moisés, levou-nos a pensar nas coisas que mexem conosco de forma tão profunda que ficamos indignados com elas, que ficamos frustrados e à pensar em fazer alguma coisa.
Ele usou esta citação de Frederich Buechner "Encontramos a nossa vocação é encontrar a intercepção entre a nossa satisfação profunda e a necessidade profunda do mundo".
Desafiou-nos, logo de seguida, a pensar no que nos indigna e nos frustra e disse que "todo o chamado começa com uma frustração, uma indignação santa"
Ele disse, também, que é nesses momentos de frustração profunda, de indignação, que nós nos podemos aperceber do chamado de Deus para nós.
Ele usou o exemplo bíblico do profeta Moisés e da narrativa do segundo capítulo do livro de Êxodo em que encontramos Moisés a cometer um homicídio.
O ato foi gerado por uma indignação, por uma frustração que Moisés já sentia há muito, fruto de dúvidas e confusões em relação à sua identidade e sentimento de pertença, mas que usou mal o método de resolver essa indignação.
Como exemplos paralelos usou Neemias que ficou indignado em pensar que Jerusalém, a terra dos seus pais, poderia acabar sendo apenas ruínas e decidiu agir. Davi que farto de ver o nome de Deus ser blasfemado decidiu sair e enfrentar o gigante. Ester, que era uma miúda bem gira e por causa dessa beleza foi escolhida para ser rainha. Mas ela não se ficou pelo ser muito bonita, mas usou a sua posiçao de rainha para salvar o seu povo do genocídio.
Ele lançou uma pergunta que foi muito forte, era: "qual é a dor que vês com os olhos que Deus vê?"
"Moisés tinha uma grabde sede de justiça. Ele vê a injustiça e defende o mais fraco"
Mas como canalizar essa frustração?
Andamos 40 anos para a frente na história de Moisés (narrado em Êx 3:6-7) e encontramo-lo no deserto onde Deus, o Todo-Poderoso, lhe diz "Eu sou o Deus de teus pais. Eu vi o sofrimento do meu povo, Eu ouvi o seu clamor e vou fazer alguma coisa!"
E Deus fala de tudo isso na 1°pessoa! Ele viu, ninguém teve de lhe contar ou fofocar. Com os Seus próprios olhos viu e isso mexeu muito comigo.
Lembrei-me de um dia, com o coração destroçado e quebrantado, orava pelo bairro em que trabalho e disse "Senhor, vem e vê"!
Parece que nesse mesmo momento, Deus também me disse "Eu sou, Eu vi, Eu ouvi e Eu vou fazer alguma coisa"...
Assim esperarei
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