Nestes dias tenho estado a reflectir sobre algumas concepções e convicções. Também reflecti em algumas formas velhas de pensar (velhas cosmovisões do mundo).
Eu percebi que eu não acreditava no casamento por amor.
Sim, sou cristã por convicção, mas não acreditava mesmo que duas pessoas se poderiam unir porque o elo que fazia sentido era o amor.
Mas amor mesmo, não paixão nem (muito menos) hormonas.
No contexto que cresci, de igreja, nos iam ensinando alguns valores e na escolha do parceiro para a vida tínhamos de ver alguns requisitos, por ex:
1- partilharem da mesma fé;
2- partilharem da mesma visão a nível de dedicação à igreja (serviço e ministério).
Portanto, eu absorvi que bastava ter esses dois ingredientes para poder ter um casamento “ya” ou “minimamente ya”. Porque ambos estavam em concordância nesse aspecto.
Mas eu nunca considerei nada mais.
Eu também sei que sou uma mulher forte e líder nata, por isso não conseguia encaixar na minha cabeça como é que a conjugação desses factores me poderiam ajudar a encontrar alguém.
Ou então tinha de ser alguém muito específico...
Com todos esses factores conjugados passei a imaginar casar com uma espécie de colega de trabalho.
Alguém com quem eu pudesse servir a Deus, em parceria, sem que me chateasse muito a cabeça.
E se houvesse amor e faísca, Okay, se não houvesse, Okay na mesma.
Essas formas de pensar revelaram-se escandalosas na altura de escolher o fofo.
Quando comecei a aperceber-me que os meus sentimentos por ele estavam a mudar, entrei em pânico porque ele não era nada, nada do que eu planeei.
Na altura, não partilhávamos a mesma fé, convicções, ele não era alguém já enraizado naquilo que era o “andamento” de igreja...
E essa decisão foi muito estranha. Começando por mim, seguindo-se para os que me conhecem.
Mas Deus foi muito gracioso...
Os que me amam de verdade, os que gostam de mim e querem o meu bem, tentaram conhecer a situação. Ouvir o meu coração, conhecer a pessoa.
Outros, que também me amam de verdade, gostam de mim e querem o meu bem, bloquearam e entraram em pânico... acontece.
Mas foi, e é, surpreendente como estamos a ser cada vez mais parceiros de caminhada na fé.
Ele está assumir cada vez mais o lugar de homem da relação (e tudo aquilo que implica, incluindo a liderança) e eu a abraçar o papel de ser cuidada (e também de me submeter em amor).
Este processo de conhecer o fofo e ser noiva dele está a desconstruir a minha velha maneira de pensar. Agora eu consigo entender que o amor é importante.
O amor e o compromisso são importantes!
Porque nos dias em que só me apetece matá-lo, eu entendo que o amor é a cola deste compromisso que (ainda só temos) um com o outro.
Eu gosto tanto do fofo que apetece-me dar-lhe um tiro, às vezes, mas depois colocar-me à frente dela para a bala não lhe acertar nem lhe fazer mal... vêm a loucura da cena?
Começo a entender a importância de amar (mesmo) a pessoa que está ao teu lado.
Afinal as relações são muito mais profundas e complexas do que eu poderia achar. Profundamente mais...
Sou grata por poder estar a aprender estas coisas.