Ler este livro tem sido uma constante viagem entre o passado e o presente.
Tenho visitado velhas memórias.
Umas mais alegres, outras nem tanto, mas fazem parte da minha história...
Abrindo o baú das memórias e sobre o capítulo 3, The Reason I Became an Atheist:
This was the begginnig of an emotional imbalance in me, one I continue to struggle with.
It's this constant tug-of-war that I have to be a protector, deliverer, and saviour for all those around me. I thought I had to be the best god I could be, because if there was a God - wich I doubted - He was obviously not going to help us.
(...)
What I didn't realize at the time is thet love is stronger than death.
A sério, Lacey?
Tens a certeza que não estás a plagiar a minha história?
Sobre este trecho, lembro-me sempre do termo "complexo de herói" (lembras-te Déboraa... obrigada por este presente, miga), que é algo que tende a perseguir-me, algo com o qual luto bastante.
Este complexo baseia-se o desejo profundo de salvar, de ser o herói, de ser deus na vida de alguém e ter esse alguém eternamente grato pela minha "extrema bondade".
Basicamente esse complexo impele-nos para as situações mais ridículas e negras de sempre!
Por exemplo: por causa do complexo de herói, meti-me em três alhadas, com três pessoas diferentes na qual saí de lá profundamente magoada e queimada!
Porquê? Porque tinha a esperança de que se eu interviesse, as coisas poderiam mudar, tudo poderia ficar bem melhor e no fim do dia estaríamos todos felizes a contentes...
Por causa do complexo, costumava sofrer sempre mais do era necessário. Sofria porque culpava-me do mal que tinha acontecido (atenção, mal que não foi infligido por mim) e como não conseguia viver com a culpa nem corrigir a situação, sofria horrores...
Estas coisas aconteciam de forma muito subtil e antes de saber rotular a situação, era o terror.
Lembro-me de uma situação específica com dois irmãos que foram abusados sexualmente e fiquei a saber.
Eu sofri demasiado com a situação. E demasiado porquê? Porque eu culpava-me de não ter percebido os sinais mais cedo, pela justiça que é demasiado lenta a intervir, pelo facto de eles regressarem a casa, onde estava o abusador.
A Andi, ajudou-me muito na identificação desse complexo e chamou-me muito a atenção sobre o assunto.
Primeiramente para o facto de ser pecado!
Sim, porque estava a tentar usurpar o papel de Deus. Indirectamente dizia "Deus, tu não És bom o suficiente para ser Deus, deixa-me tratar eu disso"
Segundo porque eu não tinha de carregar o peso do mundo. Eu não tinha nada que me culpar.
Terceiro porque eu não podia tirar o lugar de Deus na vida e circunstâncias das pessoas (especialmente dos meus irmãos mais novos). Da mesma forma que eu aprendi algumas coisas com o sofrimento, eles também têm de aprender assim. Eu não posso proteger as pessoas de Deus, da vida, das coisas...
Outra coisa sobre este capítulo é que me fez lembrar os anos de farizeísmo, de ateísmo disfarçado.
Período esse dos meus 14 aos 18 anos (idade da minha real conversão).
Foram anos muito negros, em que desacreditei de Deus a sério.
Deus era apenas uma figura que, se existia, estava demasiado ocupado para se preocupar comigo e com a minha família.
Deus era uma pessoa que não tinha qualquer relevância para mim, mas que era bom para eu parecer uma miúda fixe. Fixe porquê? Porque podia dizer às pessoas que era cristã e olhá-las de cima a baixo porque eram todas moralmente inferiores a mim. Afinal eu era cristã...
Deus também era necessária para manter-me ocupada ao domingo, assim era menos um dia...

Lembro-me de estar na EBD e não acreditar numa palavra que ensinava, orava porque queria impressionar, conhecia os cantos à bíblia porque era assistente/ professora de EBD e tinha de ganhar os concursos de destreza bíblica...
E isso aconteceu devido à morte do meu tio João (ele era o meu melhor amigo... uma das pessoas que mais amava e respeitava), quando tinha 12 anos e a um episódio específico, numa noite específica, quando tinha 14 anos...
Nesse dia, eu senti mesmo que Deus não era nada daquilo que me tentavam incutir na igreja... afinal onde é que ele esteve ou porquê que ele não impediu que as coisas acontecessem??
Hoje, ao olhar para trás, percebo o amor de Deus mesmo nessa noite, pela ajuda da minha mãe, pelo amor da Tatiana naquela manhã seguinte, na escola.
(Aliás, a Tatiana foi das primeiras pessoas a demonstrar-me como é ser amiga a sério! Esse é um dos motivos pelo qual amo-te e nunca te esqueço, Tatxi)
E mais: Deus até transformou essas memórias! Já não tenho pesadelos com esses flashes. Dói, mas já não mata e sei que irá chegar o dia em que não irá doer mais, vai ser apenas a minha "cicatriz de guerra". Uma das mais bonitas que alguma vez terei.
Músicas dos Flyleaf: