quinta-feira, 28 de junho de 2018

A Belinha em Missão ou Amor aos pedaços #9

Cheguei a Mondim na 2.ªf à noite.
Foi muito bom encontrar-me de novo com os tios Lange. 
Como cheguei tarde, tivemos poucas oportunidades de conversa, mas eu gosto da forma como o tio Hélcio é directo e intencional nas conversas, o que fazem delas sempre conversas proveitosas e cheias de “saúde”. 

A tia Angela, preparou o meu quarto que tinha este presente:




Essas rosas vieram directamente do jardim deles. 
E fez-me lembrar a música “Outra canção”, do Léo Fressato. 
Há flores por todo o lado. Por onde eu vou há flores!

Na 3.ªf, fomos fazer uma caminhada de 3,5km pelas montanhas Mondinenses. 
Que passeio maravilhoso!






Conversámos muito, o Toby pode libertar muita da sua imensa energia, e eu pude absorver um bocadinho mais do tanto que eles têm para me ensinar!
E o tio Helc, falou-me de algo que despertou imenso o meu interesse. 
Tudo começou com a questão “Belinha, qual é o teu medo. Que medos tens?”
A princípio não entendi a dimensão da questão... 
Conversámos um pouco mais e falámos sobre a liberdade em Cristo. 

À noite, chegou um casal amigo deles, o Peter e a Jane. Eles pastorearam igrejas, foram missionários e plantaram igrejas e escolas inglesas em vários lugares. 
Ontem, tive a oportunidade de conhecê-los melhor, à medida que íamos conversando, e soube que a Jane sempre viveu como missionária. 
Ela é filha de missionários, nasceu na Inglaterra mas com 3 anos foi viver no Uganda, até aos 13 anos (creio eu...). 
Agora, com os seus setentas, reformados, estão a descansar. 

Gostei muito da calma, paz e serenidade no seu falar. 
A Jane é uma lovely lady. Muito doce, com um falar muito melodioso e o Peter representa bem um típico gentleman inglês. Muito polido, com um senso de humor muito aguçado e pragmático. 

Acima de tudo, apreciei muito, mesmo muito, o quanto eles confiam e amam o Senhor!
Mesmo à missionários!!!
Eles dedicaram a vida deles inteira à causa do Senhor. É tão lindo!

Porque tivemos a oportunidade de celebrar a vitória da Jane, fomos a Celorico de Basto jantar. 




E foi um jantar maravilhoso. 
Não só pela comida, mas pela companhia. Pela partilha de vida. Pela construção de memórias juntos. 



Enquanto jantávamos, o Peter ia conversando comigo e ele disse-me coisas muito impactantes:
-Belinha, you’re young and you’ll make a lot of mistakes but God’s grace can forgive you completely. God’s forgiveness is so powerful that He can restore you completely. And you will need friends to!
God’s grace and friend will serve you a lot.
- I know that when we’re young we feel like time is rushing and we don’t want to spend time but rest. You have plenty of it. Do things. Don’t rush. You have plenty of time. 

O tio Helc, desafiou-nos a fazer um discurso. 
Ouvir o que cada um tinha a dizer foi lindo!
Ouvir as expressões de gratidão dos corações foi de encher o coração. Tive, muitas vezes, de conter as lágrimas... 💛

Foi tão lindo 😍...
Senti-me muito amada, que pertencia!

Graças a Deus e à Em, a minha família aumentou. 
E mais lindo é que os laços que nos unem são mais profundos que os de sangue. 
São laços criados pela graça que Cristo, que nos une como família até à eternidade. 

Cheguei a Mondim abatida, triste por causa das muitas saudades, mas Deus, ah o nosso Pai, soube como me compensar!
Ele encheu o meu coração de uma alegria indescritível, sinto-me a transbordar de amor. 
Estou feliz!
(E é importante ser feliz, caramba!)

Ah, gostei tanto de estar com eles!!!
Que serão maravilhoso. 

sexta-feira, 22 de junho de 2018

A Belinha em Missão #8



Hoje foi um dia difícil...
Acho que estou a cair na realidade de não estar perto. 
Não estar perto dos meus, das minhas coisas e dos meus ambientes familiares. 

Custa-me estar longe agora que a Vi foi operada e está a ter um pós-operatório difícil. 
Custa-me estar longe com a mamã a lidar com uma perda (incompreensível) muito dolorosa. 

Tenho saudades da minha igreja, dos meus amigos, do meu trabalho, da EBD, do S. Pedro de Alcântara, do Jerónymo e da Ribeira das Naus!

Não quero ser mal interpretada, sou muito grata a Deus por viver com a Natália e com o João. 
Eles são espetaculares, um favo de mel, têm feito de tudo para que eu me sinta em casa, tratam-me como filha, preocupam-se e cuidam muito de mim. 
Mas é (tem sido) inevitável sentir... 

Custa-me...
Também estou a ter dificuldades em concentrar-me e focar-me nas tarefas...

Que Deus me ajude!
Eu sei que não é em vão...



terça-feira, 19 de junho de 2018

Chegou o sol!



Esta é a vista da sala. 
É só para verem que o sol e o calor já chegou a estas bandas!
Graças a Deus!!!
 
O pôr do sol por estas bandas também é de tirar o fôlego. 


Ajuda tanto a gostar de viver no campo 😂

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A Belinha em Missão #7



Hoje sou profundamente grata pelo facto de me ter conseguido integrar bem na igreja. 
É uma igreja muito diferente da minha em Lisboa, pensam de uma forma completamente diferente da minha, mas também têm coisas muito boas. 
A doutrina que ensinam é bíblica.

Sou grata pelas pessoas que me receberam com muito carinho, que estão disponíveis para me conhecer, que já me ofereceram guarida nas suas casas, que me abraçam com carinho. 
É bom!
Independentemente da nossa origem, de onde saímos, por e em Cristo somos uma família, somos uma comunidade. 

Sou grata pela família F, que foi tão querida para mim. 
Sou grata pela ir. E, que me ofereceu este ramo tão bonito que está a adornar o meu (novo e maravilhoso) quarto. 

terça-feira, 12 de junho de 2018

sexta-feira, 1 de junho de 2018

A Belinha em Missão #6

Esta novidade que tenho de lidar é bastante perturbadora!

Acabei de descobrir que não vai ser possível ir para o Equador.
Esta notícia chegou como um murro no estômago mas em tudo vi como Deus agiu.

O grande problema prendia-se na questão do meu passaporte.
O meu passaporte estava (e continua a estar) preso em Angola. Não está a haver emissão de passaportes em Angola há muito tempo (desde Fevereiro pelo menos).
Tentei por todos os meios possíveis e legais, resolver essa situação. 
Orámos, jejuamos, tive várias audiências com a Vice-Cônsul de Angola em Portugal mas a situação não se bloqueou.

Foi um momento de grande confusão porque enfrentei todas essas dificuldades a uma semana da data prevista da minha partida (30/05).
Não sabia como lidar com as minhas emoções e com as pessoas!
Não sabia como lidar com o: "Então, Belinha, novidades?"/ "Então Belinha, quando é que partes?".
Sabia interiormente que eram perguntas recheadas de amor e cuidado mas nem eu própria sabia lidar comigo, com as expectativas, planos e sonhos frustrados. Foi muito difícil.

Como a situação não se estava a desbloquear, fui falar com a Clara (amiga da agência de viagens que tratou do meu bilhete) e pedi-lhe para cancelar o meu bilhete.
Ela explicou-me as regras de funcionamento das companhias aéreas e disse-me que iria expor o meu caso e ver o que se conseguia, mas que no máximo iria apenas receber de reembolso as taxas do aeroporto.

Saí de lá triste...
Entretanto a minha líder da OM já estava à procura de novos sítios para servir e surgiu como "ponta de esperança" ir para Espanha.
Voltei a ficar super animada com a possibilidade e fui ao SEF tratar de algumas coisas e fazer perguntas.

No SEF, soube que não me era aconselhável sair do país antes de Agosto (por causa da validade da minha AR e por não ter o passaporte). 
Outro murro no estômago!
Já não poderia ir para o Equador e agora também não podia partir para Espanha...

Senti-me à deriva!
O "pior" aconteceu...
Estava presa a estar parada.
Olhava para mim e para a minha situação como aqueles pequenos barcos no mar quando não há nem ondas nem vento. Parados ali, sem rumo e sem direcção...
Vida suspensa!

Umas horas depois, a Clara liga-me e diz-me que um milagre aconteceu!
Ela escreveu à companhia, explicou que eu era missionária, que não poderia viajar porque o meu passaporte não chegou a tempo de poder pedir o visto no Consulado Equatoriano e sem levantar problemas a companhia reembolsou-me na totalidade um bilhete não reembolsável!!
Irei apenas pagar uma taxa de cancelamento mas irei receber mais de 65% do valor do bilhete de volta.
É um milagre!

Com essa resposta, percebi que Deus, como Soberano que É, fechou essa porta!
Era tempo de abrir mão do Equador, fazer o luto da situação e continuar caminho.

Mas as emoções e pensamentos começaram logo a bater em força:
1. Já não iria poder viajar para o Equador;
2. Também já não podia ir (imediatamente) para Espanha;
3. Não podia me ausentar de Portugal, até final de Agosto;
4. Estava de licença (ou seja: não estava a trabalhar logo não tinha sustento);
5. Não podia regressar para o meu trabalho porque não podia colocar outra pessoa no desemprego porque "fiz mal uma leitura dos tempos ou porque fui precipitada ou porque sei-lá-mais-o-quê"...

Foi complicado lidar com essas emoções e pensamentos, dar a notícia aos meus líderes da OM que já estavam felizes porque me iriam integrar numa nova equipa, tentar explicar às pessoas à minha volta os contornos que se deram...
Mas tive de o fazer e, nisso também, recebi o amor de Deus e a certeza de que Ele me sustenta.
As pessoas mostrara-se compreensivas, continuaram a mostrar que me apoiam independentemente do destino (apoiam-me a mim! Não o destino mas o indivíduo) e acarinharam-me muito!

A Christina da OM é simplesmente fenomenal e apresentou-me outra opção: vir servir na mesma mas em Portugal!
Se o mais importante é ir e servir, então devia ir onde Deus me indica. Continuava a ser empurrada para fora da minha zona de conforto.
Por isso, irei integrar a equipa que está a servir em Fátima e depois seguir para Pedrógão Grande.
Então estou a preparar-me para ir para lá!

Sinceramente, o que mais me importa nessa fase é ir e começar!!

Sobre Deus nisto:
Apesar de todas as impossibilidades, sempre me senti muito sustentada por Deus.
Nunca me senti desesperada. Sentia a vida suspensa, desorientada no sentido de não saber o rumo das coisas mas nunca desesperei.
Nunca senti que queria arrancar os cabelos ou bater com a cabeça nas paredes.
Deus esteve sempre presente, de muito perto mas em silêncio. Como na história relatada em Ester. Deus está em tudo mas nunca vemos menção directa dele.

Lições:
1. Deus é mesmo Poderoso - E esta história do reembolso??
Deus é capaz de fazer o que quer e ponto final!
Se Ele ordena que sim, é sim. Se Ele ordena que não, é não!
Ele ordenou que as coisas burocráticas não se desenrolassem para o fim que eu queria e não aconteceu, mas Deus quis que não fosse prejudicada financeiramente e o dinheiro voltou!

2. Deus é mesmo Soberano - É Ele quem manda!
Deus é que sabe para onde devo ir, onde me devo encaixar para ser uma bênção.
Ele, como Dono e Senhor do Reino, sabe onde me colocar estrategicamente para suprir uma necessidade. Essa é a tarefa do missionário (mesmo dos missionários mais controladores)!
O missionário vai para onde Deus quer que ele vá.

3. Deus é o Senhor dos recursos - Põe nas mãos Dele!
Qualquer coisa, por mais pequena que seja, pode ser exponencialmente multiplicada quando colocada nas mãos de Deus.